
“o mundo não está apenas em crise, ele mesmo é uma crise, já que, para ele, as respostas que buscamos não estão nas soluções rápidas ou nos paradigmas ocidentais, mas em um mergulho no desconhecido e na sabedoria ancestral.
[...]
Em tempos urgentes, é preciso desacelerar."
Báyò Akómoláfé - filósofo, psicólogo e professor nigeriano que defende uma abordagem pós humanista e propõe um pós ativismo.

Palestras e vivências
Desde 2015, realizo palestras e vivências em instituições, festivais e empresas, no Brasil e fora. Nestes eventos, nacionais e internacionais, trabalho as questões e fundamentos de minha pesquisa e meu trabalho como ativista ambiental, que busca provocar e despertar consciência entre humanidade e ecossistemas ambientais.
Algumas palestras:
Ética da Vida, saúde como ecossistema planetário, Festival Coletivo, COP 30, 2025
Art as Catalyst - Social Art in Blue Innovation, Blue Futures Symposium II – Art for Systemic Change, Institute of Fine Arts, Berlin 2025
Keynote na Abertura do Fórum de Negócio de Impacto do Festival de Inovação, Sebrae, 2025
Manualidade - o tempo do fazer como ética e reconexão, Keynote Speaker Rio Ethical Fashion, 2025
O Poder do Indivíduo para mudar o mundo, Aula Magna SENAC, 2024
Homo Integralis, Bienal do Livro, Alagoas, 2023
Inspirational speech, Global Landscapes Forum, Bonn, Alemanha, 2019

Trajetória

Minha atuação no mundo nasce do ativismo e da comunicação socioambiental.
Fundei em 2015 o movimento Menos 1 Lixo, um dos pioneiros em conscientização ambiental do indivíduo, que já impactou mais de 30 milhões de pessoas com seus conteúdos online. Crie o primeiro copo retrátil de silicone produzido no Brasil, que se tornou símbolo do movimento e gerou o início de uma onda de conscientização sobre o impacto individual no ambiente. Trabalhei significativamente para a aprovação da primeira lei que proíbe uso e comercialização de canudos plásticos.
Integrei o time de concepção e implementação da política Noronha Plástico Zero, de abolição de descartáveis plásticos na Ilha de Fernando de Noronha.
Atuei como defensora da campanha Mares Limpos pela ONU Meio Ambiente no Brasil por 4 anos, e juntos realizamos a primeira websérie sobre a questão do plástico no Oceano em português, Mares Limpos.
Neste contexto, palestrei em diversas instituições, eventos e empresas, sendo referência na agenda ambiental no Brasil.
Publiquei dois livros sobre a relação entre o humano e a natureza:
- Homo Integralis, uma nova história possível para a humanidade, ed. Leya Brasil, 2021, um ensaio sobre novas formas possíveis de viver em sociedade;
- Menos 1 Lixo para uma vida mais sustentável, ed. SENAC São Paulo, 2025, em parceria com Wagner Andrade, um guia com reflexões e práticas para uma vida mais sustentável nos níveis individual e coletivo.
Exposições:
Mulheres por Mulheres, 2026, Museu de Arte Moderna MAM Resende, exposição coletiva.
"Qual o poder das mãos?
Qual o poder dos sonhos?
Como construir novas formas possíveis e desejáveis de viver em sociedade?
Como criar novos mundos?
Essas são perguntas norteadoras do meu trabalho. De uma certa forma, essa sempre foi minha pesquisa, mesmo antes de eu saber que isso era pesquisa.
A criação: gesto e verbo femininos. A criatividade, a atividade de criar, a serviço do quê?
A criatividade vem do hemisfério direito do corpo, considerado o hemisfério lúdico, e da intuição. A intuição que conecta ao todo. Em que momento perdemos essa conexão?
O gesto do tecer. Tecer sempre sustentou o mundo. Tecer a cesta que carrega os alimentos, a roupa que acolhe e protege o corpo. Tecer a manta que aquece. Tecer ideias, camadas, fios, tramas e gestos que alinhavam movimentos de encontro. De articulação política.
Mudar o mundo é político.
Me interessa a micro política. A revolução possível que vem de uma nova diferentes formas de ver o mundo e se ver no mundo. Uma forma que parte do alinhamento: corpo, coração e mente. Corpo que sente e se expande no mundo através das mãos, expressa com as mãos.
Me interessa tramar novas ideias que deem conta de recriar mundos. Ou pelo menos começar. Não posso aceitar a distopia como único futuro possível. Tramar e criar com as mãos para simbolizar o que há de mais profundo e significativo em ser e ter humanidade. E tocar corações. A revolução que o humano precisa passa por tramar novas composições a partir de diferentes estruturas que partam da subjetividade e do simbolismo humano. Do poder do sentir e do perceber. Da estética e da percepção. O sentir e os sentidos nos fazem humanos. Por tempo demais criamos e estruturamos a sociedade e suas relações a partir do racional, do excesso da fundamentação no masculino e vetorial. Estamos em muito, desconectados do sentir, do outro, da relação, do orgânico, dos fluxos do feminino, dos saberes antigos, do que é essencial e constitutivo da humanidade. É preciso rever, balancear e reconstruir considerando as diferenças, as particularidades tanto quanto as generalidades, o masculino tanto quanto o feminino, pois é somente nessa dança, nesses diferentes encontros e ajustes, nesse balanço de proposições que poderemos pensar como compor novas formas de viver. Que possam abranger o ontem, o hoje e o amanhã.
O que precisamos conectar para criar e gerar vida? O que precisamos balancear para criar estruturas férteis e sólidas o suficiente para sustentar as diferentes formas de vida?
A arte, que me acompanha desde sempre, se externaliza mais intencionalmente na minha vida nesse momento, através da criação, para dar conta de expressar as camadas que faltam à palavra, para provocar os sentidos, que dizem respeito tanto ao sentir quanto ao significar, dar significado, simbolizar as muitas formas de dizer ao humano.
A minha pesquisa busca criar novos mundos, a partir da consideração e composição de diferentes e significativas maneiras de ser e estar, convivendo na variedade de ecossistemas que existem. Criar mundos onde o feminino possa se expressar livremente, sem estar desconectado do masculino e vice versa. Mundos onde o feminino possa flor.e.ser em suas múltiplas expressões. O feminino que habita a todes porque ele é uma polaridade, é um tensionamento a partir do outro, do diferente. Tramar vida em possíveis e diferentes cosmovisões. Qual o papel do feminino na regeneração? E do masculino? Sem o feminino não há regeneração. Mas sem equilíbrio não há possibilidade de regeneração.
O humano, mais do que nunca, em tempos do que chamam de inteligência artificial, precisa se reconectar com o que lhe constitui, com as premissas de sua humanidade, é preciso regenerar. Depois de uma ruptura, de uma crise, um sistema, muitas vezes precisa se regenerar, se tornar saudável novamente. Mais do que nunca, precisamos encontrar nossa humanidade e regenerar a capacidade de criar sentido, no ambiente em que vivemos e uns com os outros.
Sendo assim, a pergunta que há muito tempo fica ecoando dentro de mim é:
Qual o poder de mãos reunidas? Mãos tecendo o novo a partir da composição de diferentes coexistindo. É preciso tramar e tensionar ideias, assim como se faz com um fio, para recriar o mundo ou mundos. Minha pesquisa passa e muito pela palavra, mas se transborda pelas mãos em atos significativos de criação. aquilo que podemos fazer com nossas próprias mãos. Durante um tempo, as palavras foram suficientes para comunicar com o mundo, no entanto, começaram a ficar insuficientes para dar conta de simbolizar todo o transbordar do self, do meu ser e existir, da minha relação com a vida. Do todo que eu profundamente busco articular e tecer, um ecossistema é feito de diferentes sistemas funcionando juntos ou em relação, e é exatamente essa visão que eu tenho para o meu trabalho. Pensar diferentes sistemas, compostos de diferentes organismos (que resultam da relação de muitos órgãos), que se relacionam em grandes ecossistemas. A metáfora é a própria natureza e o humano é parte dela, desse ecossistema maior."
Fe Cortez









